Relato de uma triste realidade: o mundinho dentro do mundo!


Escrever é uma tarefa deveras difícil. Ainda mais se a pessoa vai redigir um texto crítico, nem que seja que cunho mais social ou analítico, pois se deve ‘deixar o chapéu para que alguém o coloque na cabeça’, mas jamais ‘nomear os bois’. E desta forma não sofrer, no mínimo, um processo judicial por dano moral, e disso eu entendo bem. (falo do entendimento e extensão do dano moral para ambas as partes envolvidas)

Às vezes acho que vivi, por muito tempo, numa espécie de bolha indesejável ou numa alienação passageira...ou estou louca e as pessoas aceleraram seu processo de ignorância, mudaram para pior, como diria minha mãe, regrediram. Sempre me considerei alguém simples, de hábitos comuns, que gostava de conviver com pessoas na mesma denominação, sem ser esnobe, ‘nariz empinado’...mas o que tenho notado é que existem pessoas simples e pessoas simples (na realidade pessoas ignorantes disfarçadas de simples, ou devo dizer pessoas simplórias), ou as ditas ‘pessoas simples’ são de tão difícil convívio que me fazem sentir como se eu fosse o monstro. Não é intolerância, é uma total perplexidade, misturada com certo grau de tristeza.

Observando a vida de comunidades dentro dos centros urbanos dá para se ter um quadro geral e às vezes acabo por ficar literalmente, com o cabelo em pé. Como é possível?! Eles vivem isolados do mundo! Eles não vêem claramente! Eles não aceitam as coisas como são! Eles não querem! Eles odeiam tudo o que é diferente! São todos alienados! São as definições as quais chego. Para mim que fui criada e ensinada para dar valor à educação, leitura...é difícil absorver a ambição de vida de uma pessoa que só sonha em ‘passar cola’ numa esteira de fábrica, dia após dia, e se contenta com isso e vai passar a vida fazendo isso, ou na pior das hipóteses caso venha a perder o emprego, vá arrumar um sub-emprego. Refiro-me a pessoas jovens, na casa dos 20 anos.Vejam bem, nada, absolutamente NADA contra qualquer tipo de profissão, todas são honradas! Mas me refiro a ambição de vida.

Ah, mas a educação é péssima neste País. Tudo bem, eu também concordo com isso, mas e a vontade de aprender? Existem pessoas em ditas comunidades que freqüentam a escola por três/quatro anos e a abandonam dizendo “ah eu não gosto de estudar, é chato”, e tem o fato de não existir incentivo em casa, dos pais também serem analfabetos. Ok! Tudo é um círculo interminável. Mas acredito que 50% do problema esta na pessoa em si. Na falta de vontade pessoal. Existe uma grande preguiça, sim, por que estudar exige muito, dá trabalho e cobra tempo, além de força de vontade. Por que não ir pelo caminho mais fácil? “Então vou parando meus estudos aqui na 6ª série mesmo, vou pegar aquele empreguinho ali para ganhar o salário mínimo, por que eu sou ‘esperto’, não vou perder meu tempo com este negócio de livros, vou é ganhar dinheiro enquanto esta gente fica ai sentada ouvindo coisas que não fazem sentido, eu não entendo nada do que a professora ta dizendo mesmo.” Aí dois anos depois esta mesma pessoa já tem 2 filhos pequenos e uma mulher, também sub-alfabetizada, para sustentar. Livre arbítrio, meu caro, isso se chama livre arbítrio.
Outra grande chance que estas pessoas têm é arrumar um ‘emprego’ bem mais ‘fácil’: “Tô vendendo uns bagulhos ai. Dá uma ‘grana’ muito boa, mesmo! Se eu tivesse continuado com aquele negócio de estudo eu não tava bem assim não. Duvido que tenha médico que ganhe como eu.” Ou ainda “ah, eu não vou trabalhar numa loja, num horário escravo para ganhar o piso profissional da categoria. Trabalhando na ‘casa” (ou seja, casa de prostituição) eu posso ‘tirar’ R$ 3.000,00. Imagina? Posso até comprar um carro zero.” Tudo muito fácil, mas cobra um preço alto. Será que ‘ganhar uma grana legal’ vale o preço da minha paz de espírito? Para eles vale! Triste.

Mas existem pessoas que tiveram a mesma educação que eu, me refiro a nível de escola e não familiar, que pensam quase igual aos antes mencionados. Digo quase por que estas não vão para o caminho ‘sujo’, mas existem outras formas de ignorância também. “Quem estuda ou tem estudo pode ser inteligente, mas esperto não é”, vale lembrar que esperteza é o disfarce do burro, quem é esperto não tem inteligência, apenas usa de meios escusos para conseguir o que quer. Elas também dão valor infinito para o trabalho braçal e definem todo o resto como ‘trabalho de preguiçoso’. São as mesmas pessoas que são homofóbicas, racistas, preconceituosas e misóginas. São! Eu conheço gente assim! Mesmo no tempo em que vivemos existem pessoas assim, e elas são muitas!

Agora, eu não pensei que em algum momento da minha vida eu viria a falar sobre cultura, mas aqui estou. A cultura deles....bem a dita cultura popular, aquela do sucesso de 5 minutos..dos ‘cantores que soletram’ as palavras que eles mesmo inventam, um arremedo de linguagem de bebês (não farei referência alguma a nomes, mas todos bem sabem do que se trata), e ainda dos cantores que gritar ao invés de cantar, com suas vozes fanhas e desafinadas, com batidas e ritmos toscos sem falar na linguagem empregada..linguagem de bordel, por assim dizer, permeada com palavrões que degrinem a imagem feminina e ofendem só de serem mencionadas aos berros. Estas mesm as pessoas ou ficam em casa ouvindo suas ‘músicas’ ou saem com seus carros (muito bem equipados) para alardear seus gostos extravagantes, elas não respeitam o espaço alheio (Ora! Onde termina meu direito começo o do outro!) e poluem o ar! Veja bem existe uma lei que determina o volume máximo de um aparelho de som, seja durante o dia ou à noite e denomina o excesso como poluição sonora, eu diria que em alguns casos é poluição DUPLAMENTE sonora, mau gosto misturado com som alto.

Se alguém ousar critica-los a definição que o mesmo ganha é de alguém que não é feliz, não sabe aproveitar a vida. Mas onde ta escrito que aproveitar a vida é ouvir música chula em volume altamente insuportável??! Alguém me explique isso, por favor! “Mas estas são as músicas mais famosas do País! Toca na tv e toda hora na rádio! Como pode que você não gosta? Todo mundo baixou da internet (Maldita, eu disse MAAAALDITA inclusão digital!!)”. Mas o que isso significa para mim? E daí que está tocando na tv, na rádio e todo mundo canta. Isso não diz absolutamente nada para mim! Então eles tentam nos ‘catequizar’, forçando-nos a gostar, seja insistindo nos pontos ‘positivos’ do por que gostar desta ou daquela música, estilo, banda/cantor(a) (os pontos são os ‘argumentos’ vazios e fracos antes mencionados), ou com seus ditos carros ‘de som’ impossíveis de não notar, impossível de não escutar. Eles sempre escutam música em ‘coletividade’... “você não quer, você não gosta mas vai escutar assim mesmo e se reclamar eu vou aumentar o som sempre mais e mais”, típica coisa de ‘gente muito bem educada’, como se pode ver. A ordem do dia é infernizar e espezinhar a vida alheia “você não gosta de mim, mas vai me engolir”.

Estas são as mesmas pessoas que se questionadas sobre alguma coisa só sabem responder ‘por que não’ ou o memorável ‘por que sim’...palmas! São aquelas que olham o noticiário e dizem ‘Esta mulher merece apanhar mesmo! O que ela ta fazendo? Nada’ (em referência a Yoani Sánchez - eu mesma nestes dias de visita da ativista política no País já dei diversas explicações sobre do que se trata – perca de tempo falar do resultado) Vivem claramente no mundo da lua, não sabem absolutamente nada....e mesmo quando olham o telejornal não entendem e criticam mesmo sem entender...estas são as mesmas pessoas que não vão ao médico por que não acreditam em absolutamente nada do que ele diz...mas me diga ‘o médico’ não estudou sei lá quantos anos para afirmar com certeza a respeito de doenças e diagnósticos?

Infelizmente estas também são as pessoas propensas ao alcoolismo, violência e intolerância seja ela qual for (de gêneros, racial...), por que simplesmente elas não entendem o mundo que as cerca pelo simples fato de que não evoluem com ele e pela enorme resistência em admitir que estejam defasadas (e pela própria ignorância e falta de humildade para admitir erros) vivem num mundo de ‘produção em série’ onde todos consumem o que a mídia empurra goela abaixo e geram o próprio sucesso da ‘mídia lixo’, ale de que se vestem iguais, pensam igualmente e buscam a diferenciação pela ignorância. Não vejo nenhuma mudança, mesmo que pequena, é um sistema dentro do próprio sistema, um mundo separado dentro do próprio mundo onde absolutamente tudo é diferente e tudo é a parte, as margens. Se você perguntar a elas o que são, pasmem, mas vão responder na cara dura e com certo orgulho, eu diria: ‘sou vilero’!





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